01 maio 2011

todas as esperas
são nocturnas

todas as esperas
são longas planícies
onde vamos descalços
beber a noite azul

todas as esperas
são circulares
abandonadas
são gestos rápidos
nervosos
um desencontro de mãos

tu sabes o que são as ruas
longos braços que não
se cruzam, apenas tentam,
ensaiam abraços, estreitando-os,
mas tu não podias, tu não cabes
nessa rigidez,

e pedias um terramoto
um deslizamento
que encurtasse o espaço
entre os olhos, o tempo da espera

por essa rua que desce
até ao mar.

1 comentário:

s disse...

Um homem dança mar adentro
Leva a luz nos braços desengonçados
Desaprendeu o sorriso fácil:
Cabe-lhe a dor num abraço

*