18 fevereiro 2007

Gostavas de ficar alguns minutos a olhar o verde do céu, depois o azul, o cinzento, um dia destes acordaste e viste-o branco, no outro dia anoiteceu pintado de laranja claro, e foi um sonho que tiveste, não sei e não sabes se por causa da cor do céu, se por causa dessa lua que te chamava. Sonhaste que ela vinha também, não a lua, mas uma voz que tinha uma boca, uma boca que tinha um rosto, rosto esse que tinha um cabelo e pescoço, um cabelo e pescoço que tinham ombros, esses ombros e cabelo de que falo e que eu tanto quero tinham um peito onde cair, esse peito que falo e que também quero tinha uma cintura, essa cintura, acaso os teus olhos desviam para lá o olhar (secretamente), não termina nunca, mas logo logo começam as pernas, sem que disso te apercebas, brancas de marfim, e essa voz que tinha um corpo era ela, era um corpo que tinha uma voz, uma música, um embalo onde te pudesses sentar e ver as cores do céu passar, não sozinho nem adormecido já, mas junto a esse corpo que tem uma voz, a essa voz que tem um corpo. O teu.