"Tudo era claro, jovem, alado. O mar estava perto. Puríssimo. Doirado." - Eugénio de Andrade
22 dezembro 2007
please, please, please
The Smiths - Please, please, please, let me get what I want
Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time
Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad
So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time
Lord knows, it would be the first time
19 dezembro 2007
You dress to kill - guess who´s dying
Há poucas bandas com um vocalista que é simultaneamente um verdadeiro hino à classe e ao estilo... É caso para dizer "quando eu for grande quero ser Brian Ferry".
(parêntesis)
Obrigado Rui Zink pela melhor expressão que já ouvi, arrisco dizer, em toda a minha equívoca vida.
da insónia
se a noite viesse completa, apenas
nua e branca como
água que nascesse luar
das estrelas
eu dormiria.
dormiria se o corpo
pedisse um pouco mais de cansaço,
a luz não esmorece
as ondas quebram ao longe
na escuridão profunda
de um quarto frio
a insónia queima os olhos,
eu dormiria se viesses
na aspereza das crinas
douradas de areia
eu espero
pela contemplação da glória ardente
de um pôr do sol,
se nos campos
outonais chovessem gritos
de planície dormente
eu dormiria.
dormiria se viesses
17 dezembro 2007
do poema de amor
forma, não tem chão,
não tem desenho ou estudo;
um poema de amor
tem apenas assomos de paixão,
lamentos,
um poema de amor é um
murmúrio, a construção em verso
da dor penetrante e certa;
um poema de amor
é uma planície deserta de cores
outonais sob a luz das estrelas,
o luar nos corpos dos que se deitam
e escrevem com a saliva dos beijos
poemas de amor na pele rasgada.
um poema de amor existe na
concreta dimensão dos corações,
o sangue não pára de correr,
também o frio nasce da luz
das estrelas, também o poema,
o poema de amor.
14 dezembro 2007
Arte
Nas fronteiras os homens esperam ao frio,
Os ombros gelam como pedras,
O granito enterra
Os braços fundo no ventre da serra,
O aroma da turfa preenche o ar,
A respiração condensa debaixo do nariz,
E os guerreiros ferem com as lanças
E as espadas o céu, o sangue não escorre
Ainda pelo granito, pouco faltará,
Ninguém se atreve a dar o primeiro grito,
Quanto mais o primeiro passo,
As pinturas de guerra são a transfiguração
Da dor e do medo, um cavalo basta
Que venha a correr, pesado e escuro
E ferido na barriga pelas esporas
De um guerreiro para responder ao desafio
Que veio do lado oposto da colina,
O vale ecoa em gritos e urros e cortes
De espada e faca,
Nas fronteiras os homens morrem ao frio
E os ombros tombam nas pedras,
Os corpos desfeitos vão a enterrar
No granito da serra.
11 dezembro 2007
avenida das tílias
Eu quero janelas verdes, uma avenida de tílias, os meus passos debaixo das tuas janelas, serão verdes? serão tílias?
06 dezembro 2007
Look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people
Eleanor Rigby picks up the rice in the church
where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window, wearing the face
that she keeps in a jar by the door
Who is it for?
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?
Father McKenzie writing the words
of a sermon that no one will hear
No one comes near.
Look at him working. Darning his socks in the night
when there's nobody there
What does he care?
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?
Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people
Eleanor Rigby died in the church
and was buried along with her name
Nobody came
Father McKenzie wiping the dirt from his hands
as he walks from the grave
No one was saved
All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?
The Beatles - Eleanor Rigby (Revolver, 1967)
o meu país não é tão grande
que nos tenha assim, nus,
margens juntas de um rio,
o sexo contra o sexo, lutando na
glória ardente de um pôr-do-sol.
Eu fiz da tua carne o meu sangue.
Da tua pele, dos teus ombros,
eu fiz o domínio absoluto
das minhas mãos... tu és o meu
regresso à luz dos dias, à pureza
das águas... Oh loucura tão breve.
03 dezembro 2007
Talvez o fogo
que vem caminhando no frio,
uma luz azul que aquece?
Talvez seja o fogo, sim, é o fogo
que diz a verdade...
a pureza da neve está no gelo
e no fogo, no azul do céu
e na alta brancura dos dias
claros.
O fogo trespassa a pele, este fogo
dourado ilumina os corpos
que no escuro se juntam,
o peito nas costas,
o queixo e as mãos nos ombros,
só saliva e sensualidade,
e o fogo na pele dos amantes.
Pela memória dos dias escuros
eu vou beber-te o sangue dos teus braços,
não, vou antes ser o teu sangue, a tua língua
que escorrega pelo fogo, vou antes ser
a respiração dos teus olhos,
a tua boca inteiramente afogada em mim.
Vai, perde-te nas ondas,
eu fico nas sombras,
nas esquinas do vento,
sim, eu fico pelo vento
só mais um pouco,
e talvez, se quiseres, morrer.
02 dezembro 2007
Vê até onde teus olhos, teu cabelo,
teus dedos, tacteando, te deixem ver.
negra, perfeita escuridão, te deixe ver.
o teu corpo, dourado e quente, te deixe:
das ondas, ou numa margem oculta,
salgueiros.
29 novembro 2007
Sétima Legião - O Canto e o Gelo
No seu olhar
um rosto a arder
no seu olhar
que eu não sei ver
tão cedo é tarde
o canto e o gelo
tão cedo parte
vem o degelo.
E quando o frio passou
só me ficou o canto do meu medo.
E quando o frio passou
só me ficou o encanto de um segredo.
Tão cedo é tarde
no seu olhar
tão cedo parte
fica o cantar
levou assim
o canto e o gelo
deixou em mim
a noite e o medo.
18 novembro 2007
Ninguém quer abraçar este corpo,
esgotá-lo pela ternura
violenta de uma mordedura,
tomá-lo nos braços
pelas tardes douradas de outono.
Ninguém quer esta brancura
perfeita de mármore,
porção finita do desejo.
A luz percorre
os espaços, quem me vem
atirar para uma cama desabitada
quando de noite cai o frio
das estrelas?
Serenamente um dia...
Um dia,
hoje não,
também as maçãs esperam
cair, maduras, no chão.
Eu hei-de sorrir serenamente,
angustiado
e triste: ninguém quer aquecer
este corpo abandonado.
Ninguém que ensinar este corpo
a viver,
ninguém quer abraçar este corpo.
12 novembro 2007
pequena luz
Dois olhos líquidos a lembrar
aquele perfume a beijos,
dois corpos que ardiam
à luz de um poema.
Toda a tarde chora
num ímpeto de claridade,
cai serena e triste
a chuva nos umbrais.
desfolhados caem
pela tua pele,
são pétalas de sangue
com sabor a mel.
22 outubro 2007
Noite
Diz-me o que pensas
De seres tão escura,
Ó Noite,
E de o mar ser tão fundo
Que nenhum som debaixo
Das ondas existe; E de veres
O sol pôr-se do outro lado
Do mundo, depois do mar,
E nunca o veres.
De as palavras me ficarem
Pela metade, pela metade do caminho,
Eu não sei o que mais dizer
E disse tão pouco do que tinha
Para escrever.
Diz-me porque me doem
Nos olhos, na boca, na pele
As aves que sobem
E fogem
Das minhas mãos,.
Noite, eu nunca as fechei
E as janelas,
Essas estão de par em par abertas.
Diz-me, noite, o porquê
De as ruas nunca estarem desertas
Quando ela passa para eu saltar
Da janela
E fundo mergulhar
Nos olhos dela,
Cinzentos
Com um bocadinho de mar.
Essa a razão porque gritei.
Se puder, noite, deito-me
Sozinho em cima das nuvens.
A luz não escolhe
Quem quer resgatar da sombra.
E eu dir-te-ei quem és.
Ó Noite tão escura.
Ainda as escadas (perspectiva)
19 outubro 2007
Até amanhã
Disse ele, Até amanhã, e tamanhas palavras, assim ditas, tiveram o efeito de um grande terramoto, nos instantes seguintes dir-se-ia que as pedras escuras do castelo desabavam inteiras e todo aquele lugar era arrastado para um outro onde as paredes ruíram e jazem inertes ao nível do chão num monte de cimento picado, mas esta casa não desabou, o telhado continua direito, no mesmo ângulo em que foi construído para escoar as águas e proteger dos raios homicidas do sol forte de Julho, os alicerces não foram perturbados, muito ou pouco fundos lá permanecem, se sequer existem, as raquíticas paredes vagamente brancas, escurecidas pela humidade aí estão para quem as quiser ver, por fora com menos saúde, por dentro melhores, É fazer o favor quem quiser entrar, nós o que fazemos é muito simples, subimos as escadas muito depressa, ele à frente, puxando-me pela mão, eu atrás subindo um pouco a saia, antecipando talvez o que o desejo dificilmente deixa esconder, ou ajudando as pernas a depressa completarem os esforço dos degraus, saltamos o patamar, que todo o tempo é precioso, tropeçamos um no outro, a descoordenação é total, as pernas quase se cruzam, mas no fundo não importa porque mais tarde estaremos tão perto um do outro que a distância mínima que está entre nós agora parecerá um enorme rio que separa duas margens, o patamar ficou para trás, pequeno e sombrio, faltam poucas escadas, a porta já a vemos, as chaves estão nos bolsos, em qualquer deles podem estar, são poucos, são muitos, não sabemos, são agora apenas bolsos que guardam as chaves que são absolutamente necessárias para abrir a porta, não nos passaria pela cabeça, apesar de a respiração ir tomando conta dos pulmões, deitar abaixo a estúpida da porta que nas ombreiras se apoia para não nos deixar passar, e no entanto tudo é possível agora, somos capazes de destruir paredes como se os beijos que entretanto imaginámos fossem marretas e picaretas, felizmente a porta abriu-se facilmente, resta o corredor estreito onde a luz da tarde vem descansar os cabelos, aqui não pode ser, para o que queremos temos o quarto, uma cama com quatro pés e um colchão e lençóis e duas almofadas, será já demasiado para que dois amantes se amem e se destruam com língua e beijos, finalmente chegamos ao quarto, se não nos perdemos pelo caminho, nós e quem nos ouvir contar como fazemos amor, lá está a cama e os lençóis e debaixo deles o colchão, se é confortável não queremos saber, eu estou já despida da cintura para cima, a memória da roupa que trazia não existe, a blusa branca ou azul, uma delas ficou lá atrás. Atiramo-nos para a cama que se queixa da violência do embate, um pouco mais de força e tínhamo-la quebrada em duas metades, Ele despe-se lentamente diante de mim, Ela deita-se na cama, apoiada nos cotovelos, atira a cabeça e o cabelo para trás, a claridade deixa-lhe metade da cara num resto de sombra, está despida da cintura para cima, a blusa branca que trazia com botões forrados a renda rendeu-se nas minhas mãos, mais nada foi preciso pedir que saísse do meu caminho, o peito está nu, a descoberto, consciente da minha sede, Ele agora despe o resto da roupa, está nu à minha frente, avança para a cama, a minha saia castanha faz uma vénia e lentamente deixa adivinhar a pele das coxas, toda a tarde é desejo, frutos e sol, depois os olhos recebem a escuridão, fechados como um túmulo de pedra esculpida, nasce o grito do fundo da boca.
16 outubro 2007
No princípio é simples:
nada resta depois do sol,
a estepe cedo apaga
a presença dos pés que
nela caminham. Nada resta depois
de um sorriso, a erva gasta,
palha solta e perdida aqui e ali,
marcada com o odor que nela
deixam os que sobre ela
se deitam,
também a chuva morre
nos braços do chão, agonizante.
03 outubro 2007
do que disse a boca
que de noite falou
e disse, À beira da morte
todos escurecem.
Não conheço, sei que a noite
é tanta que não chega
para na noite, ela própria,
caber, e fazer dormir
os olhos tão claros.
Que neles a luz existe.
Eu não sei
que vem a luz fazer
a este quarto esta cama
entrar por esta janela,
que a noite basta porém
para nela se escrever
o canto e o gelo,
funestíssima dor
de um dia escuro que passou,
a dor de nunca ser,
e não poder saber
o que vem afinal a luz
aqui fazer.
28 setembro 2007
Setembro #2
Setembro fez-se de outra luz, uma luz quase-luz que se vai perdendo no ponto de fuga de um sorriso outonal. Ou da primeira folha seca que acaba de se soltar e vai caíndo no chão. Setembro fez-se de outra luz, a última dos dias claros, esses que te vão fugindo por entre os dedos. Setembro fez-se de uma praia sem sombras, de marés-vivas.
Setembro é uma aguarela para se pintar do som do mar.
22 setembro 2007
Setembro #1
A sombra desse beijo que trazia abria-lhe nos lábios um corte profundo de cor escura. Era outro rosto, outros desenhos de ti que ele esperava, talvez pintados a lápis de cor e sem sair do limite. Mas esses olhos que usas teimavam em sair da própria luz do dia, exilados de ti numa outra margem ou pedaço de céu. Fugiam sempre, penetrando noutras fendas da minha pele. Era a tua voz que queria, para ir colher a primeira luz fria dasmanhãs, ou essa luz escura que cai depois do Sol.
Hoje tentei deslizar sobre a tua pele, querendo voltar a esse corpo de sal. Partir para não chegar, e sobretudo não voltar. Sair de mim, voltar a ti, ser tudo o que não sou para ser tudo em ti e voltar a mim no mesmo instante, sem pensar se me perdi ou se te encontrei. Gozar de toda a liberdade poética para te ousar, ir buscar-te onde não estás e deixar-te comigo onde não estávamos, estar contigo em lugar nenhum e visitar todo o lugar. Não te rias. Nem sempre o sonho serve para nos rirmos dele.
A sombra desse beijo que trazias abriu-me nos lábios um corte profundo de cor escura, uma fenda para onde te vais esgueirando e espreitando para dentro de mim. Descansa. Setembro: que lugar para dormir. Descansa: "o amor não contempla, sempre o amor procura".
eu não posso
as ruas e as esquinas
povoadas de ti,
o chão pisado pelos teus pés
e a poeira que debaixo deles
se levanta nos espaços onde tu não és
um corpo, matéria habitada, um mar
tão calmo de se dormir nele.
no fundo da boca um grito espera,
espera que um lago um rio uma maré
sejam um lago um rio uma maré.
brancos e pálidos na longa noite escura.
eu não posso querer
o céu povoado de aves tão negras,
a claridade tem ali também o seu espaço,
não posso querer o fogo e o gelo,
o canto e o gelo de um de um inverno
azul.
de noite o quarto escurece, apenas eu sei
que cores habitam o espaço da escuridão,
tudo se completa na ausência
de luz.
eu não posso querer a luz neste quarto
que só me conhece a mim. e só eu sei
o escuro que é ser eu.
16 setembro 2007
eu queria ser nada
e ver nada acontecer perto de mim
por estar cansado de ser nada
aparentemente nasce, eu queria apenas
TUDO deixasse de existir,
voltar de onde jamais partiu, voltar às cordas
de uma guitarra, o vento soprava e eu ouvia,
soprava e eu ouvia, soprava...
e ouvia...
e
talvez o verão esteja tão longe
e os dias de outono junto à pele,
talvez seja apenas já um sopro
disforme, último reduto de uma dor
13 setembro 2007
Luís Goes - É Preciso Acreditar
É preciso acreditar,
É preciso acreditar
que o sorriso de quem passa
é um bem para se guardar
que é luar ou sol de graça
que nos vem alumiar
É preciso acreditar,
É preciso acreditar
que a canção de quem trabalha
é um bem para se guardar
E não há nada que valha
a vontade de cantar
a qualquer hora cantar
É preciso acreditar,
É preciso acreditar
que uma vela ao longe solta
é um bem para se guardar
que se um barco parte ou volta
passará no alto mar
E é livre o alto mar
É preciso acreditar,
É preciso acreditar
Que esta chuva que nos molha
é um bem para se guardar
que há sempre terra que colha
um ribeiro a despertar
para um pão por despertar.
O que os olhos choram
O que os olhos choram a boca não exprime, os lábios precisam de abrir e fechar, a voz precisa de vibrar, estremecer no peito como um trovão que se ouve bem de perto, sentado no chão, um trovão que vai cair mesmo perto, ao lado, à frente ou atrás, e aí o mundo desaba, a terra abre-se, serena. Intermitentes, as lágrimas caem no vazio, vão caíndo uma a uma, e as primeiras, as primeiras são as que têm para si guardada a tarefa mais difícil, desde a pálpebra de baixo até ao queixo é sempre a cair, o problema está em por onde começar, por onde ir, a pergunta impõe-se, decisiva, às primeiras lágrimas que caem de dois olhos, e o que os olhos choram a boca não exprime, esta secretamente encerra as palavras, e se mais cuidados forem precisos, as palavras aninham-se debaixo da língua, e aí ficam, esquecidas, todavia sempre prontas a colocarem-se no limite dos lábios, no limite do silêncio e enfim pularem para a sílaba, a palavra, a frase, e receberem outras. Algumas vezes, as lágrimas encontram-se com as palavras, mas também o sorriso se confunde com as palavras, e não esqueçamos que, não raras vezes, sem palavras que se consigam dizer quando o ar falta, as lágrimas entram, salgadas, onde os lábios se juntam, e a boca que exprime e diz mas que agora está calada vai beber as lágrimas que de lá de cima se chorou, que de lá de cima se deixaram cair, aflitas de não saberem onde morrer, e afinal encontram um refúgio seguro, uma boca que as beba, tão triste, uma boca que vai beber as lágrimas que os olhos choram é uma boca solitária, e que dizer dos olhos, também o são, é tudo tão triste, não ter outros lábios que nos venham beber as lágrimas, não ter outros olhos que nos olhem fundo na pupila, e ninguém que nos leve os dedos à pele da cara e nos enxugue toda a água salgada que ao fim de um dia fez um rio tão fundo. Mãe, porque é que o mar tem água, pergunta-se por aí, a resposta está no mal que se faz e no mal que depois se chora, o que os olhos choram a boca não exprime, estão ambos separados em tudo o que fazem, excepto quando os lábios sorriem, pois aí os olhos são obrigados a sorrir também para que não se possa mentir, e teremos a expressão de um fim sereno e repousado em que as lágrimas terminam e se pode respirar, limpar o sal dos lábios e recomeçar pois a noite começa hoje.
12 setembro 2007
E agora algo completamente diferente
A ideia é genial: um pica do metro de Paris que fura liláses...
Jacques Brel - Les Bourgeois
Às vezes na rua sorrio e canto muito baixinho: " Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête"
31 agosto 2007
de quem por elas durante o dia passa,
e no chão imperfeito acontece a
insónia escura de um longo dia, e
o silêncio
é maior do que o trovão que dele
instantâneamente nasce,
e o ar vibra com as águas de um rio,
o vento na copa das árvores estremece
o fundo das costas, um leão surge rente
ao fundo dos olhos,
e nada acontece, porque
de noite as ruas perdem todo o sangue
de quem por elas durante o dia passa.
30 agosto 2007
Esgotando palavras
e ardem. Vermelhos.
Teus lábios. Escuros,
vermelhos, tingidos de
sangue. Pulsam.
Pedem sempre outros lábios
para dormir. Os meus.
Nos teus lábios existo.
Adormeço.
Eles vivem. E ardem.
Teus lábios. Cruzados, juntos
abertos, mordidos, mudos...
existem. E ardem.
25/2/2005